quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

nostalgia

Eu não queria ser dramática, mas eu sinto falta dos meus colegas fúteis, das conversas agradáveis e divertidas que eu tinha com uns poucos professores e dos intervalos que eu passei filando Club Social e Coca-Cola dos meus amigos, e jogando stop.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Extraclass

Sexta-feira. 19:30. A aula havia terminado, e todos pareciam desesperados para voltar para casa e começar o fim de semana oficialmente. Menos Anya.
Shaw não entendia o porquê daquilo. Ela sempre era a última a guardar o material e a sair da sala. Suas amigas sempre a apressavam, mas ela arranjava alguma desculpa e ficava enrolando. "Não acho minha borracha" ou "Tenho que organizar essas folhas para que elas não amassem". O professor não dava muita atenção a isso, julgando que fosse assim todos os dias, e não só em Geografia. Mas ela parecia ter arranjado uma bela desculpa naquele dia, até porque sua demora já começava a irritar o professor.

- Camarada Anastacia?

Ela sobressaltou-se e ergueu a cabeça, abrindo um sorriso um tanto quanto perturbador ao encará-lo.

- Sim, professor?
- Algo errado?
- ... Professor?

Ele suspirou.

- O que você perdeu desta vez? Um lápis, o caderno, talvez a noção do tempo?
- Ah. - ela deu uma risada ao baixar a cabeça e fechar o zíper da mochila. - Não.. Não perdi nada, professor. Na verdade, ainda não encontrei algo. - ela o encarou séria.
- En-encontrou, não encontrou o quê? - Shaw estufou o peito e apoiou-se na mesa atrás dele; por algum motivo bizarro, suas pernas começaram a tremer.
- Coragem pra fazer uma pergunta sobre a matéria. - a garota voltou a sorrir, o que causou em Shaw uma sensação bastante estranha e desconfortável da qual ele conseguiu se recuperar rapidamente.
- Bem. – ele conseguiu esboçar o que na mente dele era um sorriso convincente. – É preciso coragem para fazer o vestibular com dúvidas, isso sim. Vamos, camarada Anastacia. Pergunte.
- É.. – ela mordeu o lábio. – É que.. A.. pergunta.. não é.. não é.. exatamente sobre a matéria.
- Então é sobre algo relacionado à matéria, suponho? – Shaw cruzou os braços e sentou em sua mesa, balançando uma perna ao sentir que retomava o controle da situação.
- É sobre o senhor.

Shaw quase caiu mentalmente da mesa, mas foi capaz de permanecer no lugar enquanto tentava pensar no que dizer. Sobre ele? Talvez algo sobre sua carreira profissional? E se ela estivesse pensando em seguir a mesma profissão? Quem sabe.. É lógico que a pergunta seria inocente. Então por que ele se sentia uma presa indefesa sob o olhar insistente da garota?

- Bem. – ele repetiu, agora procurando uma forma de escapar daquela situação. – Se não estou enganado, já contei à turma sobre minha formação acadêmica e creio q..
- Não quero saber sobre sua formação acadêmica, professor. Até porque me lembro de cada palavra dessa história. – Anya não tirava os olhos de Shaw, nem mesmo quando se levantou e começou a andar na direção dele.
- Camarada Anastacia, são quase oito horas e acho que devíamos concluir nossa conversa em outro dia.
- Professor, prometo ser breve. – ela continuava andando em sua direção e agora Shaw temia sair correndo, achando que ela correria atrás dele.
- Camarada Anastacia, está ficando tarde, não quero que seus pais se preocupem. É melhor você ir embora. De fato, é melhor eu ir andando.. – Shaw tentou se esgueirar até a porta, mas Anya foi mais rápida. Agora ela estava tão perto que Shaw pôde notar que tons de verde mesclavam com a cor avelã de sua íris. Os braços da garota o cercavam e ele não via jeito de escapar dali.
- Professor, pra que tanta pressa? - seu sorriso brincalhão ganhou um ar de malícia. - Tem alguém o esperando em casa?
- O quê? Não, eu só.. - Shaw olhava para os lados, beirando o desespero. Essa garota não vai embora? E se alguém entrar na sala? - Camarada Anastacia, eu realmente acho que devíamos..
- Se não há ninguém o esperando - ela fingiu não o ouvir. -, que tal terminarmos nossa conversa agora mesmo, hã?
- Camarada Anastacia, por favor, seus pais devem estar preocupados.
- Eles estão acostumados com meus atrasos.
- Camarada Anastacia, a escola já está fechando por hoje, vamos embora..
- O senhor está tentando fugir de mim? - Anya inclinou-se sobre ele, obrigando-o a curvar-se para trás.
- Fugir de você? Que idéia, camarada Anastacia, que idéia.. - Shaw suava frio. - Já chega, está tard..

Ela segurou seu braço suavemente quando ele tentou escapar. O cérebro de Shaw ainda tentava processar como aquele ser humano tão frágil e delicado a sua frente conseguia causar tanto transtorno nele.

- Camarada Anastacia, por favor.. - Shaw tentava desviar seu olhar da garota.
- Professor..
- Falo sério, camarada Anastacia, temos de ir..
- Professor.
- Imagine se a diretora nos encontra aqui. O que ela pensaria disso, camarada Anastacia?
- Professor! - ele parou de falar bem a tempo de notar que a distância antes quase inexistente entre eles começava a desaparecer. - É só.. Anya.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Quem sabe em Pasárgada.

Dedicado a Jubi-talvez-saiba-quem.

Eu não consigo tirar meus olhos de você.
Não consigo evitar; é mais forte do que eu.
Fico com medo de você perceber, e com mais medo ainda se você notar.
Mas não consigo. Não posso.
Como poderia?, se até Machado de Assis elogiou seus braços. Claro que ele se referiu a uma mulher, para não ter problemas para o lado dele.
Ah, esses braços que eu tanto quero chamar de estes. Imagino o quão bom seria tê-los a minha volta, bem forte e tão reconfortante.
E seus olhos, que me encaram como se eu tivesse algo bom a dizer. A silenciosa e azul expectativa em relação a meus planos, desconhecidos por você.
Somos jovens e fazemos planos. Deveríamos é viver, sem a pretensão de que podemos controlar nosso futuro. Acredito em livre arbítrio, e você? O destino que pretendo moldar para mim cruza o seu.